Como Nossos Familiares São Afetados por nossos Vícios?

Como Nossos Familiares São Afetados por nossos Vícios

Escrevemos diversos artigos em nossa página relatando tudo sobre o processo da dependência química e do comportamento adictivo, porém, como nossos familiares são afetados por nossos vícios? Vamos mudar um pouco o foco, falar não apenas da doença do comportamento adictivo, mas também como procede a questão da dependência; do medo; insegurança; ansiedade; depressão; apreensão e outras diversas qualidades negativas e sementes de intranquilidade que nós, portadores da dependência química, implantamos e postulamos em nossos familiares.

Realizar o tratamento da dependência química para o adicto que está em uso e abuso das substâncias é fundamental para resgatá-lo e consequentemente salvá-lo. Mas e a família? Como fica a questão das famílias que estão acompanhando o processo de evolução da doença da dependência química em um amigo ou parente. E o processo de degradação, lento e progressivo dentro do quadro do comportamento adictivo aliado à entorpecentes independente de licitude.

 

Atmosfera Escura

Quando começa a se perceber que alguém que você ama está com comportamentos muito diferentes do normal como: raiva; agressividade verbal; isolamento; falta de empatia; sumiços; mentiras; manipulação; e outras diversas questões negativas começam a aparecer, um sinal de alerta se acende.

Dentro desse contexto começa-se a levantar a famosa “pulga-atrás-da-orelha” ou seja, aquele sentimento de desconfiança que antigamente era esporádico começa a se tornar recorrente justificando a questão de como nossos familiares são afetados pelos nossos vícios. São grandezas igualmente proporcionais, quanto maior as mentiras, manipulações do dependente; maior a desconfiança de quem está ao redor. Quanto mais se adoece o dependente, mas se adoece a família.

Dentro dessa questão muito séria sobre com se instala o processo da dependencia química a melhor maneira de se exempliicar todo esse contexo é colocar o dependente químico no centro e compará-lo ao buraco negro. Tudo o que esse está em volta desse buraco negro fica na eminência de se sugado ou não por ele. Por isso que se deve dizer que o tratamento da doença do comportamento adictivo aliado à consumo de entorpecentes independente da licitude, é algo que não se trabalha sozinho. Além do mais, há uma necessidade importante em que todas as partes envolvidas no processo da recuperação, independente da família, trabalhem juntos.

Essa atmosfera escura e obscura, só se transformará quando houver adesão ao tratamento por parte do dependente e um “desmame de cuidados” da família em relação ao mesmo. Cortando lentamente os laços de codependência pré estabelecidos durante à evolução da doença. O dependente faz a sua parte mantendo-se sóbrio e em tratamento seja ele medicamentoso, espiritual, com grupos de apoio, com psiquiatras e psicólogos. E a família começa a depositar a confiança e esquecer sentimentos negativos relacionados à problemas aditivos.

 

A Beira do Medo

Exemplificamos sobre como realmente começa o adoecimento da família em relação a doença da dependência química, e quando se realiza o tratamento, mudanças de hábitos de ambas as partes precisam acontecer para que seja realizado um tratamento efetivo e afetivo. Sendo assim além de como nossos familiares são afetados pelos nossos vícios, como os mesmos são afetados pelas nossas recaídas? Agora a questão fica muito mais séria do que se imagina. E existem muitas divergências de ideias com relação à isso.

Imagine-se pai ou mãe de uma pessoa que ficou na rua por trinta dias. Essa pessoa abandonou a família, a casa, o conforto, o amor, o carinho, e muitas outras coisas para se apegar apenas à uma substância. Uma substância que: traz prejuízos em todas as aŕeas da vida dela, mas que ainda se há apego.

Se não houver o estímulo externo para realizar o tratamento e fazer o resgate mental da pessoa, consequentemente, a mesma permanecerá no mesmo estado, já que a questão de mudança independe da vontade dela, mas sim da família. Sendo assim, coloca-se uma expectativa emocional muito grande dentro da questão do tratamento. Então pensar que não haverá recaídas dentro do procedimento da intervenção referente à uso, é uma ingenuidade e uma hipótese à não ser descartada.

Vamos voltar à nosso exemplo, esse medo de que a pessoa entre em processo de recaída, permanece por um tempo, quando ele se esvaece ou é esquecido acontece uma recaída, e aí, como faz? Sentimentos como frustração e impotência começam a tomar forma e a família traz o mesmo ambiente da época em que estavam em altíssima codependência do usuário novamente. Quando na verdade deveriam procurar ajuda.

Atualmente nos CAPS existem cartilhas que explicam que, apesar de negativas para ambas as partes, o processo de recaída é algo natural na recuperação de alguém que sofre da dependência química aliado ao comportamento adictivo. Não é de se esperar que a mudança ocorra da noite pro dia. Não se pode romantizar tudo e criar expectativas sobre determinadas situações sem prever que contratempos virão. Justamente por causa disso existem essas cartilhas gratuitas nestes centros de atenção psicossocial.

Além do mais, buscar como recursos assistência psicológica e em grupos de apoio como Amor Exigente (AE) é fundamental para não perder as estribeiras em casa. Além do mais, não há a necessidade de que a família adoeça junto, pode-se buscar centros para realizar o procedimentos de internação para poder conseguir ter fôlego novamente para começar o processo de recuperação.

 

Um Final Feliz

Quando dizemos que “A Esperança é a Última que Morre” é um ditado mais que pertinente para familiares de pessoas que sofrem com entes que são portadores da dependência química. Mas que precisam das orientações necessárias para o entendimento da doença. Por isso é mais que necessário se questionar em como nossos familiares são afetados por nossos vícios?

A resposta mais singela e simples é: Totalmente, e em todos os aspectos. São afetados emocionalmente, financeiramente, psicologicamente, podem desenvolver outras doenças graves como depressão, transtornos mentais e em alguns casos mais graves cometem até mesmo suicidio. Portanto a maneira mais interessante de tratamento é buscar conhecimento.

Entender a dependência química tanto do ponto do usuário como da família é mais que necessário para que todos consigam realizar um tratamento assertivo e eficaz, estancando a doença por um tempo, evitando os processos de recaída e como resultado, tendo um final feliz.

Hoje, limpo eu consigo abraçar a minha mãe todos os dias sem medo de cara feia. Hoje eu consegui entender o valor de pequenas coisas como um abraço, um cafuné, e uma grande amizade, tudo porque eu escolhi mudar.”

Renan Rugolo Ré, adicto em recuperação